Por marcozero CompartilheCompartilhe ViagemRuínas de fortes e capela indicam antiguidade de Guarujá 1572 visualizações0O início da história de Guarujá coincide com o começo da história do próprio país. Os primeiros registros indicam que, em 22 de janeiro de 1502, os navegantes portugueses André Gonçalves e Américo Vespúcio chegaram à região onde hoje é a praia de Santa Cruz dos Navegantes, tradicionalmente conhecida como praia da Pouca Farinha —por causa de sua estreita faixa de areia.Em 1534, num esforço que promover o povoamento da ilha que os indígenas chamavam de Guaibê (uma alusão à uma planta muito comum no local), o rei D. João III doou o terreno, sob forma de Capitania de Santo Amaro, a Pero Lopes de Souza — irmão de Martim Afonso, o fundador de São Vicente.Por conta do terreno acidentado e do difícil acesso ao Planalto, a ocupação da ilha não prosperou. Durante praticamente três séculos, a Ilha de Santo Amaro foi pouco atrativa, sediando apenas alguns engenhos de açúcar e fábricas de extração de óleo de baleia.Desta época, restaram construções sólidas que preservam até hoje suas características originais: a Ermida de Santo Antônio do Guaibê, o Forte de São Filipe (ou de São Luiz), o Forte do Pinhão (hoje conhecido como Farol do Itapema) e a Fortaleza da Barra Grande.Forte São FelipeTambém denominado Forte São Luiz e popularmente conhecido como Forte de Pedra, a fortaleza foi construída a mando de Braz Cubas, em 1552, para proteger a área de invasões estrangeiras e também dos ataques dos índios nativos, os tamoios. “Cruzava fogo” com o Forte São João, localizado no outro lado do canal, em Bertioga.Fortaleza de São Felipe em 1964.Forte São Felipe em 2004. Foto: Acervo AgemÉ considerada uma dos mais belos exemplos da arquitetura militar portuguesa do século XVI, com muralhas rentes ao mar, estruturas como uma cisterna empedra e acabamentos meticulosos.O mercenário alemão Hans Staden permaneceu nove meses no local, contratado pelos portugueses para ajudar a defender o local de invasores franceses e indígenas aliados deles. Enquanto caçava sozinho fora do forte, Staden foi capturado por índios tupinambás e levado para Ubatuba, onde por pouco não foi canibalizado.O local onde foi construído o forte também abrigou a Ermida de Santo Antônio do Guaibê e a Armação das Baleias.Ermida do GuaibêFoi na capela construída no século XVI, com pedras e óleo de baleia, que Padre Anchieta rezou missas e promoveu a catequização de índios. Apesar da ação do tempo, boa parte da estrutura original pode ser vista. O cruzeiro de pedra do século XVI pertencente à Ermida hoje faz parte do acervo do Museu Paulista, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.O acesso à Ermida é feito pela Trilha das Ruínas, uma área preservada da Mata Atlântica, que tem início na Rodovia Ariovaldo de Almeida Viana (estrada Guarujá-Bertioga).Armação das BaleiasAinda no complexo do Forte São Felipe, havia a Armação das Baleias, local onde era extraído óleo de baleia usado na iluminação pública. A fábrica foi ali instalada por conta de uma série de fatores: grande quantidade de baleias, acesso à água potável em abundância, madeira para alimentar os fornos e construir tonéis, enseada abrigada do mar aberto e proteção garantida pela fortificação militar.Ao longo da história, o lugar foi visitado, por personalidades como José Bonifácio de Andrade e Silva (em 1790), os escritores Euclides da Cunha (em 1904) e Mário de Andrade (em 1937) e o urbanista Prestes Maia (em 1950). Apesar de não terem sido contemporâneos, todos, cada um na sua época, reclamaram da mesma coisa: as más condições de conservação do local.Fortaleza da Barra GrandeErguida em 1584, a Fortaleza da Barra Grande, tinha o objetivo de defender a entrada do canal do porto. Do ponto de vista militar, “cruzava fogo” com a fortaleza construída do outro lado do canal, o Forte Augusto (onde hoje está instalado o Museu de Pesca de Santos).LEIA TAMBÉM:LEIA TAMBÉM:Os sítios arqueológicos de Guarujá e outras relíquiasMirantes de Guarujá oferecem visão privilegiadaConheças todas as 27 praias de GuarujáCompartilhe
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