Miss Sambaqui. Foto: Ader Gotardo/USP
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Os sítios arqueológicos de Guarujá e outras relíquias

Muita gente que conhece Guarujá apenas por causa da beleza de suas praia não sabe da riqueza de sua história, que a coloca entre as ocupações mais antigas do Brasil.

Começa, evidentemente, bem antes de 30 de junho de 1934, quando o então governador de São Paulo, Armando Salles de Oliveira, assinou o Decreto 1.525, criando a Estância Balneária de Guarujá.

Também muito anterior a 22 de janeiro de 1502, data em que os navegantes portugueses André Gonçalves e Américo Vespúcio chegaram à região onde hoje é a praia de Santa Cruz dos Navegantes, tradicionalmente conhecida como praia da Pouca Farinha.

Sambaquis de Guarujá

Arqueólogos da Universidade de São Paulo encontraram sambaquis, estruturas construídas por seres humanos feitas com conchas, há mais de 8 mil anos. Os sambaquis (palavra que vem do Tupi-guarani “tamba´ki”, que significa “monte de conchas), eram locais sagrados e de rituais fúnebres.

Um dos sambaquis encontrado na praia do Mar Casado, foi pesquisado por uma equipe de arqueólogos coordenada pelo francês Joseph Emperaire, em 1954, e pelo brasileiro Paulo Duarte, a partir de 1961. Os pesquisadores descobriram, no sambaqui batizado como Maratuá, diversos vestígios e 12 esqueletos, entre eles um do sexo feminino, cujo crânio tinha pequenas conchas afixadas na testa, que eles acreditam que faziam parte de um ritual funerário. Uma fotografia da relíquia, conhecida como “Miss Sambaqui”, passou a ser usada com logotipo do Instituto de Pré-História da Universidade de São Paulo. Miss Sambaqui fazia parte da população de pescadores e coletores que viveram no litoral brasileiro, durante a Pré-História.

Joseph Emperaire, Paulo Duarte e Paul Rivet no Sambaqui da Maratuá, Mar Casado, em Guarujá, em 1954. Foto: Acervo USP
Joseph Emperaire, Paulo Duarte e Paul Rivet no Sambaqui da Maratuá, Mar Casado, em Guarujá, em 1954. Foto: Acervo USP

Durante um ano e dois meses, os pesquisadores da USP coletaram mais de duas mil peças, entre conchas, pedras, ossos, dentes trabalhados e restos animais e humanos. As relíquias estavam sobre o esqueleto de uma baleia encalhada que se conservou praticamente inteiro. Hoje, uma parte das peças faz parte do acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (antigo Museu de Pré-História) e o restante, a maior parte, foi incorporado ao acervo do Museu de História Natural de Paris, na França.

Na verdade, os arqueólogos só encontraram um terço do que sambaqui original, pois o restante havia sido destruído ou retirado do local para servir de adubo nas plantações próximas. Também há registros de que o material extraído dos sambaquis foi moído e misturado com areia e óleo de baleia e usado como argamassa na construção dos fortes da região.

Sítios arqueológicos em Guarujá

Dos 15 sambaquis localizados em Guarujá, 12 estão no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos, do Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan).

Entre eles, o Crumaú, que tem 31 metros de altura, 400 metros de comprimento e 100 metros de largura. Localizado no Rio Crumaú, região de mangue entre a Serra do Guararu e o Canal de Bertioga, é considerado o sambaqui mais alto do planeta. Na maré cheia, ele fica praticamente submerso. Há também os sambaquis Largo do Candinho, Monte Cabrão e Monte Cabrão 2, Largo do Candinho 2, Largo do Candinho 3 e Sítio Crumaú 2.

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