Saúde

Conheça as doenças mais frequentes na população negra

A doença falciforme, o diabetes tipo 2, a hipertensão arterial, o glaucoma e a deficiência de G6PD são patologias e condições crônicas que atingem com maior frequência a população negra, especialmente as mulheres. Essas enfermidades podem se manifestar de forma isolada ou associada, exigindo atenção qualificada para diagnóstico, prevenção e tratamento.

As informações e os dados epidemiológicos sobre o tema foram detalhados pela palestrante Thayana Evangelista, integrante do Comitê de Saúde Integral da População Negra, durante a atividade “Saúde da População Negra”. Realizada no auditório do 5º andar do Paço Municipal, no Centro Histórico, a palestra fez parte da programação oficial do Mês da Mulher Negra, Latina e Caribenha em Santos, reunindo profissionais da saúde, conselheiros, educadores e representantes da sociedade civil para discutir a promoção da equidade no atendimento público.

Sintomas, complicações e tratamentos das patologias

A atenção médica e a identificação precoce dos sintomas de cada condição clínica são fundamentais para evitar o agravamento do quadro de saúde dos pacientes:

  • Doença falciforme: Uma alteração genética que modifica o formato das hemácias (células vermelhas do sangue), dificultando a circulação. Seus principais sintomas incluem dores intensas provocadas pelo bloqueio do fluxo sanguíneo, fadiga, palidez, icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos), atraso no crescimento, feridas nas pernas e maior predisposição a infecções. A falta de tratamento adequado pode evoluir para complicações neurológicas, cardiovasculares, pulmonares e renais, além de crises dolorosas e anemia crônica. O tratamento padrão envolve o uso de medicamentos específicos, transfusões sanguíneas regulares e, em casos indicados, a cura por meio do transplante alogênico de medula óssea.

  • Diabetes tipo 2: Disfunção metabólica crônica ligada à resistência ou produção insuficiente de insulina, afetando a regulação do açúcar no sangue.

  • Hipertensão arterial: Níveis de pressão sanguínea cronicamente elevados nas artérias, funcionando como fator de risco para problemas cardíacos.

  • Glaucoma: Condição oftálmica assintomática em estágios iniciais, associada ao aumento da pressão intraocular, que pode levar à perda progressiva da visão.

  • Deficiência de G6PD: Distúrbio enzimático hereditário que pode causar a destruição precoce das hemácias quando o organismo é exposto a determinados gatilhos.

Impactos das desigualdades raciais na saúde da mulher negra

O contexto histórico que influencia as condições de vida e de saúde da população negra desde o período da escravidão reflete diretamente nos indicadores atuais. Dados baseados em estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apresentados no evento evidenciaram que as desigualdades raciais geram impactos diretos no atendimento à saúde da mulher negra.

De acordo com as pesquisas divulgadas:

  • Mulheres pretas e pardas realizam um número menor de consultas e exames especializados durante o período de pré-natal;

  • Essa parcela da população apresenta uma incidência significativamente maior de miomas uterinos e de procedimentos de histerectomia (remoção cirúrgica do útero).

A abordagem também destacou as consequências do racismo estrutural na saúde mental e na segurança física. Foram citados dados do Atlas da Violência que revelam que 66% das vítimas de feminicídio no Brasil são mulheres negras.

Posicionamento institucional e a rede de atendimento

Thayana Evangelista explicou que compreender a influência do processo histórico e reconhecer as doenças que apresentam maior incidência ou manifestações clínicas diferentes é indispensável para oferecer um atendimento de saúde qualificado e humanizado. A conselheira municipal de Saúde e estudante de Ciências Sociais, Sandra Cordeiro, de 54 anos, que já desenvolveu um trabalho acadêmico sobre a temática, reforçou a importância de dar protagonismo à população negra e expandir esse conhecimento para toda a sociedade civil, ampliando a compreensão sobre suas reais necessidades.

A secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos de Santos, Nina Barbosa, destacou a atuação integrada e o trabalho conjunto entre as secretarias municipais para garantir mais direitos, equidade e igualdade racial por meio de um olhar focado no indivíduo.

Até o dia 31 de julho, o município de Santos mantém a programação especial gratuita do Mês da Mulher Negra, Latina e Caribenha, focada na valorização da memória, da ancestralidade e da cultura afro-brasileira.

Cidadãos que necessitem de investigação diagnóstica ou tratamento para a doença falciforme e demais condições devem se dirigir diretamente à policlínica de referência do seu bairro de residência. Os endereços completos de todas as unidades municipais de saúde de Santos estão disponíveis no endereço eletrônico: https://www.santos.sp.gov.br/?q=servico/enderecos-das-unidades.

Você pode gostar também

Mais em:Saúde

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *