Comportamento

Câncer de cabeça e pescoço registra alta em adultos jovens

Historicamente ligada ao tabaco e ao álcool, o câncer de cabeça e pescoço registra alta em adultos jovens sem hábitos de risco tradicionais. Segundo o cirurgião Rogério Dedivitis, que é especialista no assunto, a infecção por HPV mudou perfil da doença. Ele destaca a importância da vacina e do diagnóstico precoce no Julho Verde.
Durante muitas décadas, o diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço esteve quase que exclusivamente atrelado ao tabagismo e ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas. No entanto, nas últimas décadas, a comunidade médica vem observando uma transformação expressiva no perfil epidemiológico dos pacientes: a incidência desse tipo de tumor cresce progressivamente entre pessoas mais jovens, muitas delas sem qualquer histórico de consumo de tabaco ou de álcool.

De acordo com o Dr. Rogério Dedivitis, médico especialista em cirurgia de cabeça e pescoço e referência internacional na área, o principal fator responsável por essa transição é a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV). O vírus tem desempenhado um papel central especialmente nos casos de câncer de orofaringe, região que compreende as amígdalas e a base da língua.

“O HPV passou a ter um papel importante no desenvolvimento de alguns tipos de câncer de cabeça e pescoço, principalmente na orofaringe. Hoje, observamos pacientes mais jovens, muitas vezes sem os fatores de risco tradicionais, o que reforça a necessidade de conscientização sobre a vacinação e a prevenção”, esclarece o Dr. Dedivitis.

Embora o HPV seja um vírus extremamente comum e na grande maioria das vezes seja eliminado espontaneamente pelo sistema imunológico, uma parcela dessas infecções pode se tornar persistente no organismo. Ao longo dos anos, essa permanência provoca alterações celulares que podem evoluir para um quadro oncológico.

Tabaco e álcool continuam sendo os principais fatores de risco
Apesar do aumento dos casos motivados pelo vírus HPV, o tabagismo e o uso nocivo de álcool permanecem no topo da lista das principais causas de tumores na boca, na laringe, na faringe e em outras regiões da cabeça e do pescoço. Quando esses dois hábitos de risco são associados, a probabilidade de o indivíduo desenvolver a doença cresce de forma exponencial.

Sinais de alerta e a importância do diagnóstico precoce
A identificação rápida dos sintomas é um diferencial para o sucesso do tratamento. O Dr. Rogério Dedivitis enfatiza que os principais sinais que exigem atenção médica e investigação imediata são:

  • Rouquidão persistente;
  • Feridas na cavidade bucal que não cicatrizam em um período superior a 15 dias;
  • Dificuldade para engolir alimentos (disfagia);
  • Dor de garganta de caráter contínuo;
  • Sangramentos na boca ou garganta sem causa aparente;
  • Surgimento de nódulos (caroços) na região do pescoço.

“O diagnóstico precoce é fundamental. Quanto mais cedo identificamos a doença, maiores são as chances de cura e menores podem ser os impactos do tratamento na qualidade de vida do paciente”, pontua o especialista.

Vacinação contra o HPV e prevenção ativa
A vacinação contra o HPV é apontada como uma das medidas de prevenção primária mais eficazes. No cenário nacional, o imunizante é distribuído de forma totalmente gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos na faixa etária recomendada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), além de grupos específicos elegíveis estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Para além do esquema vacinal, outras medidas preventivas indispensáveis para a redução do risco de desenvolvimento de tumores de cabeça e pescoço incluem:

  • Cessação definitiva do tabagismo (abandonar o cigarro);
  • Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Manter uma rotina rigorosa de higiene bucal;
  • Buscar avaliação especializada imediata caso note sintomas persistentes.

Campanha Julho Verde reforça o combate à doença
A conscientização ganha ainda mais força durante o Julho Verde, o mês dedicado à campanha nacional de combate ao câncer de cabeça e pescoço. A iniciativa reforça que a disseminação de informações de qualidade, a prevenção no dia a dia e a busca por diagnóstico precoce continuam sendo as armas mais potetens para salvar vidas.

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