Santos

Marinha aprova plano de resgate de navio brasileiro que foi à Antártida

Com o objetivo de resgatar um dos maiores ícones da ciência oceânica do país, a Marinha do Brasil deu sinal verde para o plano de salvamento do navio Professor W. Besnard. A aprovação, concedida pelo 8º Distrito Naval no dia 24 de abril, ocorre pouco mais de um mês após a embarcação ter adernado (inclinado) no Porto de Santos, no dia 13 de março.

O plano, apresentado por uma empresa contratada em caráter emergencial pela Autoridade Portuária de Santos (APS), foca na recuperação gradual da flutuabilidade do navio. O trabalho é minucioso: envolve a drenagem interna da água acumulada e uma série de manobras técnicas. Assim que o Besnard estiver estabilizado, ele será rebocado para um estaleiro para que especialistas avaliem se ainda há chance de uma restauração completa.

Uma força-tarefa no fundo do porto

Embora o sinal verde oficial tenha vindo agora, a mobilização no cais santista não parou. Desde 31 de março, equipes de mergulhadores realizam inspeções subaquáticas, limpeza e a vedação do casco para evitar novos danos. A operação é tratada como prioridade máxima, já que o navio inclinado representa um risco tanto para a segurança das manobras no porto quanto para o ecossistema local.

O caso envolve uma complexa teia de responsabilidades:

  • Propriedade: Atualmente, o navio pertence ao Instituto do Mar, após ter sido doado pela Universidade de São Paulo (USP).

  • Ação Emergencial: Diante da inércia e da gravidade da situação declarada pela Capitania dos Portos, a APS (Autoridade Portuária) assumiu a frente da operação para evitar um desastre maior.

O valor histórico: Da Antártida ao abandono

A pressa para salvar o Besnard não é apenas logística, mas histórica. Construído na Noruega e batizado em homenagem ao “pai da oceanografia brasileira”, o navio foi o protagonista da primeira expedição do Brasil ao continente Antártico, na década de 1980.

Durante décadas, ele foi o principal laboratório flutuante da USP, sendo palco de centenas de pesquisas que ajudaram o Brasil a entender sua plataforma continental. No entanto, após ser desativado, o navio enfrentou anos de abandono e degradação, culminando no incidente de março. O atual esforço de salvamento tenta impedir que o destino final de um símbolo da soberania científica brasileira seja, literalmente, o fundo do mar.


Contexto Adicional: O incidente com o Besnard acendeu o debate sobre a preservação do patrimônio naval em Santos, uma vez que a embarcação já vinha sofrendo com a falta de manutenção e impasses jurídicos sobre seu destino final nos últimos anos.

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