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Santos registra taxa de recusa familiar para doação de órgãos abaixo da média nacional

A cidade de Santos apresenta índices positivos no processo de doação de órgãos e tecidos. Enquanto o Brasil registra uma média de 42% de negativas familiares na autorização para captação após morte encefálica, o município santista mantém essa taxa em apenas 25%.
Reconhecida pelo Governo do Estado como “Cidade Amiga dos Transplantes”, Santos destaca-se por uma estrutura única no país. A cidade é a única no Brasil com um setor de captação vinculado diretamente a uma secretaria municipal. Nas demais localidades brasileiras, os próprios hospitais desempenham essa função.
Os dados foram divulgados na quinta-feira (10), durante o Fórum Setembro Verde, realizado na Universidade São Judas Tadeu. O evento abordou cuidado, ética e segurança no processo de doação, reunindo especialistas e referências nacionais.

Especialistas orientam sobre processos e indicadores técnicos

Durante o encontro, o médico da Central Estadual de Transplantes, Arnaldo Sala, orientou os profissionais sobre o cadastro de equipes e o monitoramento contínuo dos processos:
“Os profissionais devem verificar as taxas de não autorização familiar e estudar estes casos. Além disso, precisam verificar as taxas de contraindicações para doação, como em casos de soropositividade e estarem atentos aos indicadores de monitoramento sobre doadores e possíveis doadores, para um serviço mais ágil e eficiente”, explicou Sala.
A enfermeira e coordenadora de enfermagem da Organização de Procura de Órgãos (OPO), Edjane Borelli, reforçou a necessidade de diálogo contínuo entre famílias e trabalhadores da saúde.
“Falta muito conhecimento. Essa conscientização é um trabalho de formiguinha, e as informações precisam ser mais compartilhadas”, destacou Borelli.

Trabalho contínuo de sensibilização na rede municipal

A chefe da Seção de Captação de Órgãos e Tecidos (Secapt), Danielle Caliani, enfatizou que o Município realiza ações de conscientização ao longo de todo o ano.
“Estamos atualizando e sensibilizando nossos profissionais, trazendo não só a teoria, mas a prática e a contextualização, além de abordar sobre a segurança do paciente e a ética no processo. É importante sempre observarmos a prática com novos olhares”, afirmou Caliani.
A coordenadora do Complexo Hospitalar da Zona Noroeste, Christiane Porto, também ressaltou a relevância das capacitações promovidas na rede de saúde:
“Este evento tem uma importância significativa não somente a nível Municipal, mas estadual e nacional. Ele não serve só para atualizar ou trazer a parte legislativa destes processos, mas para proporcionar, aos profissionais da saúde presentes um momento de reflexão acerca desse assunto tão sensível. E sempre buscamos solidificar a atuação das nossas equipes, por isso trouxemos essa conjunção destes profissionais, que são referências a nível nacional, para falarem sobre esse assunto”, disse Porto.

Panorama da fila de espera e tipos de doação

A fila por transplantes exige atenção permanente das autoridades de saúde em todo o país:
  • Fila nacional: 71.745 pessoas aguardam por um transplante no Brasil.
  • Fila estadual: 26.541 pacientes esperam pelo procedimento no Estado de São Paulo.
Em vida, o doador pode ceder órgãos duplos, como um dos rins, além de partes do fígado, da medula ou dos pulmões.
Já no caso de doadores falecidos, a captação de órgãos sólidos exige a confirmação de morte encefálica. Quando o óbito ocorre por parada cardiorrespiratória, os órgãos perdem a viabilidade, mas os tecidos ainda podem ser captados horas após a morte.

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