Comportamento

Mudanças climáticas favorecem a expansão da leishmaniose

As mudanças climáticas estão acelerando a expansão da leishmaniose para novas regiões do planeta, alerta trazido durante o 1º Seminário de Esporotricose e Leishmaniose. O evento reuniu mais de 100 profissionais de saúde, agentes de endemias e técnicos da Baixada Santista no Bloco Cultural de Cubatão na última sexta-feira (18 de setembro).

O aumento contínuo da temperatura e das taxas de umidade altera o ecossistema e acelera a reprodução dos vetores transmissores. Esse fenômeno amplia a área de alcance de zoonoses como a leishmaniose e a esporotricose.

“A mudança climática favorece o aumento da temperatura e da umidade e favorece o ciclo de reprodução dos agentes etiológicos da esporotricose e da leishmaniose”, destaca Dalton Fonseca, diretor-técnico do Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) do Estado de SP na Baixada Santista.

Estudos comprovam avanço do mosquito transmissor em clima quente

Durante a palestra “Aspectos do Aquecimento Global – One Health e a Esporotricose/Leishmaniose”, as professoras Laura Cecatto e Tiana Moreira, da Faculdade de Medicina da Universidade São Judas Tadeu (USJT), apresentaram pesquisas que confirmam o deslocamento da leishmaniose para o Sul do Brasil, Norte da Europa e Estados Unidos.

O aumento das temperaturas globais permite que o mosquito-palha, vetor da protozoose, se adapte a áreas antes consideradas frias. Ao mesmo tempo, o excesso de chuvas e a umidade elevada criam o ambiente ideal para a multiplicação do fungo causador da esporotricose.

Vigilância climática e modelos de previsão de surtos

Pesquisadores utilizam a análise ambiental preventiva para antecipar a emergência de zoonoses em até 12 meses:

  • Previsão antecipada: modelos epidemiológicos identificam anomalias no regime de chuvas para prever surtos com 3 a 12 meses de antecedência.

  • Exemplo internacional: no Marrocos, alterações oceânicas no Atlântico Norte influenciam a fauna e a flora do Norte da África, aumentando a população de insetos e prevendo surtos com um ano de antecedência.

  • Etapas do processo: o monitoramento apoia-se em quatro pilares — avaliação de vulnerabilidade, monitoramento ambiental, previsão de risco e resposta integrada.

Diferenças entre esporotricose e leishmaniose

O seminário técnico abordou diagnósticos, terapias e características clínicas das duas zoonoses:

Esporotricose

Micose subcutânea provocada por fungos do gênero Sporothrix. A transmissão ocorre por meio de lesões provocadas por material vegetal contaminado ou por arranhões, mordidas e contato com secreções de gatos infectados. Manifesta-se como um pequeno nódulo que evolui para ferida, acompanhando os vasos linfáticos.

Leishmaniose

Doença infecciosa causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada do mosquito-palha (flebótomo). Apresenta-se como uma ferida ou úlcera de evolução lenta, com bordas elevadas e fundo granuloso.

Programação e painéis do seminário

Promovido pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Cubatão e coordenado pelo Serviço de Controle de Zoonoses, o evento contou com a participação de profissionais de Cubatão, Santos, São Vicente e Mongaguá.

A programação incluiu palestras ministradas por especialistas da USJT, do Instituto Pasteur, da Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN), do GVE-Santos e do Serviço de Zoonoses de Cubatão, abordando temas desde o diagnóstico laboratorial até estratégias operacionais de educação em saúde.

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