chacina no jacarezinho
Desenvolvimento

“Tudo bem” porque foi no Jacarezinho, não no seu bairro

Você viu que a polícia entrou naquele condomínio de luxo da Zona Sul do Rio, meteu o louco e acabou matando 25 pessoas? Você não viu porque isso não aconteceu. A chacina aconteceu no Jacarezinho, onde moram pobres e pretos.

“Ah! Mas os que morreram eram todos bandidos?”, vai dizer um famigerado. Tem certeza? E se tiver um, só um, assassinado “por engano”? E as balas “perdidas”? Viu o povo pobre apavorado no trem? Os comerciantes do bairro (ou você acha que em bairro pobre só tem bandido?)? Como não é seu parente, tudo bem, né?

“Ah! Mas no meu bairro não tem bandido…” Quem falou, cara-pálida? Talvez você seja vizinho do patrão do infeliz que vende droga na boca que abastece ricos e os de “classe média”.

Vacinação combina com doação

Nas regiões miseráveis, a presença da bandidagem é ostensiva porque o poder público lavou as mãos: não há serviços decentes de educação, saúde, segurança, lazer etc . Este vácuo foi ocupado por aquele bando de moleques armados com fuzis. Vendem drogas e “proteção”, mas também providenciam o remédio, compram o material escolar da criança, fornecem um botijão de gás ou cesta básica.

É muito provável que realmente nenhum dos mortos no Jacarezinho fosse flor que se cheirasse, mas a partir do momento que se diz “tudo bem” é melhor rasgar as leis e que seja cada um por si e Deus contra todos.

Além disso, e aí é que a porca torce o rabo, há a suspeita de que não foi uma ação para cumprir mandados de prisão e sim para desocupar a quadrilha que manda na região e colocar outra: uma milícia. Lembra do filme Tropa de Elite 2?

É razoável supor que os policiais foram tomar conta do lugar mas, logo no início da operação, “deu ruim” e um deles foi assassinado. Evidentemente, os demais não podiam deixar isso assim. E ocorreu o, literalmente, banho de sangue.

A realidade é muito mais complexa e contraditória do que os ingênuos gostariam que fosse e os canalhas se empenham em simplificar. Não dá para separá-la entre “mocinhos” e ‘bandidos”. A solução é simples? Não. Talvez nem tenha. Mas sempre dá para piorar, com mais “operações” despirocadas como esta, o aplauso das almas sebosas a elas e a indiferença de quem acha que é assim mesmo…

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