Reinaldo, ex-jogador
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Reinaldo, o revolucionário

A porta do elevador abriu e eu dei de cara com um rosto inconfundível, apesar dos sinais do tempo: era Reinaldo, o grande camisa 9 do Atlético Mineiro nas décadas de 1970 e 1980 e centroavante da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1978.

Foi em 16 de janeiro de 2019. Eu estava chegando para meu programa de TV e Reinado tinha acabado de participar de outro, esportivo, realizado no mesmo estúdio.

Foi um encontro rápido. Eu avisei o craque:

– Eu vou ter que tietar você!

Na hora de posar para a foto, Reinaldo esticou o braço para cima, com o punho cerrado —igual o que fez após seu gol no último minuto do jogo contra a Suécia, na Copa do Mundo de 78. Era um ato revolucionário, inspirado no gesto dos Panteras Negras que protestavam contra o racismo nas Olimpíadas de 1968, pois significava um protesto à ditadura militar que imperava no Brasil naquela época.

Foi um ato corajoso, pois Reinaldo já fazia o gesto ao comemorar seus gols no Atlético Mineiro (também protestando contra o regime militar) e, antes da delegação brasileira embarcar para a Argentina, ele foi advertido pelo próprio presidente da República, Ernesto Geisel, em uma cerimônia em Brasília.

– Ele me disse “vai jogar bola, deixa que política a gente faz”

Mas no momento do gol, Reinaldo não se aguentou. Esticou o braço para cima, com o punho cerrado. E me disse, para não deixar dúvidas:

– Foi um gesto socialista!

A atitude teve grande repercussão. Mas a ousadia custou caro. Além das lesões nos joelhos, Reinaldo também sofreu com uma campanha difamatória (diziam que era comunista, gay e viciado em drogas) que o tiraram da Copa seguinte (em 1982, na Espanha) e encerraram prematuramente a sua carreira.

Ao se despedir, deixou o recado:

– É isso aí, companheiro! A luta continua!

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