Debate na Band
Política

Quando o jornalismo faz demagogia

É natural — e esperado — que em debates eleitorais candidatos pratiquem a demagogia: soluções simples para problemas complexos, promessas impossíveis de cumprir etc. O que surpreende é quando a prática do populismo explícito parta de uma jornalista. Foi o que aconteceu no debate presidencial de domingo (28), quando a representante do jornal Folha de S. Paulo quis extrair, a fórceps, um compromisso dos candidatos de que metade de seus ministros seja mulheres.

É o caso típico em que “jogar para a torcida” acaba atrapalhando a causa, em vez de colaborar. Evidente que o Brasil sofre de um problema grave e crônico de desigualdade de gênero — sem falar nos inúmeros casos de violência física, psicológica, moral e financeira contra mulheres.

Colocar mais mulheres não é garantia de avanço na defesa de pautas femininas. Num primeiro momento, a proposta soa simpática a quem percebe a importância do tema, mas de que adianta montar um ministério com mulheres com a visão de mundo de Damares Alves, por exemplo? Ou Carla Zambelli, Bia Kicis? Não seria melhor homens com o perfil de Eduardo Suplicy, Guilherme Boulos, Fernando Haddad (para ficar em políticos do dito espectro “progressista”)?

Doe órgãos - avise sua família

Tudo leva a crer que a pergunta demagógica da representante da Folha de S. Paulo não foi resultado de uma iniciativa pessoal dela — que, aliás, deve ser excelente profissional, já que  foi escalada para representar um dos jornais mais importantes do país. Certamente, o questionamento foi submetido à avaliação de outros jornalistas, mas talvez o receio de parecer “contra as mulheres” fez com que a ideia fosse adiante.

Em vez de tentar amarrar o compromisso numérico, mais importante é arrancar, de cada candidato, garantias para avançar nesta luta, que não é um favor e sim o reparo de uma anomalia que prejudica todas e todos. Muito melhor se o eleito escolher ministras que defendam pautas femininas, mas ser mulher não é garantia de que isso ocorra. Exigir isso é meramente jogar para a torcida.

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