tipos de rolhas
Veritas di Vino

Qual a melhor rolha para uma garrafa de vinho?

Rolha de cortiça, de aglomerado de cortiça, de plástico, tampa de rosca. Cortiça dura, cortiça mole, rolha curta, rolha comprida. Diante de tantas maneiras de lacrar uma garrafa de vinho, qual a que devo escolher? Afinal, qual a melhor rolha para uma garrafa de vinho?

Direto e reto: isso não é problema seu, mas do produtor! É o fabricante quem define como vai fechar suas garrafas e esta decisão tem a ver com os objetivos que ele pretende com a bebida.

A melhor rolha para uma garrafa de vinho: a idade do vinho conta

Primeiro, é preciso lembrar que, apesar de ser bem bonita, aquela frase de “Fulano é igual vinho, quanto mais o tempo passa melhor fica” não se aplica à grande maioria dos vinhos. Provavelmente, menos de 1% dos vinhos existentes no mundo melhoram à medida que envelhecem — são os chamados “vinhos de guarda”, cujo processo de amadurecimento termina após seu engarrafamento.

A esmagadora maioria dos vinhos são para consumo imediato, devem ser bebidos o quanto antes, após saírem das vinícolas. Atualmente, a maior parte dos vinhos consumidos são os “vinhos de combate”, isto é, feitos para serem bebidos no dia a dia.

Normalmente, demoram de um a dois anos entre as uvas serem cultivadas e o vinho ser engarrafado —o processo de maturação das vinícolas que operam em grande escala dura entre seis meses e um ano, em barricas de madeira, metal ou mesmo cerâmica.

A explicação é extremamente simples: as grandes vinícolas operam em escala e sua linha de produção é dinâmica, o estoque tem que girar. Do ponto de vista econômico, fica inviável elaborar rótulos que exijam ficar cinco ou 10 anos maturando. A mercadoria vai ficar lá, ocupando espaço e custos?

Assim, voltando à questão das rolhas: pouco importa como a garrafa será vedada. O tipo de material (cortiça, aglomerado, rolha sintética ou rosca de metal) não influenciará decisivamente no sabor do vinho.

Talvez o mais sensível sommelier seja capaz de notar alguma diferença significativa, algo equivalente no campo musical à pessoa que tem o “ouvido absoluto”. Como isso é extremamente raro, fique atento aos “especialistas” de seu círculo de relacionamento que torcem o nariz para vedações que não sejam de “rolha de cortiça legítima” —enochato detected!

rolhas sintéticas e tampa de rosca

Rolhas sintéticas e tampas de rosca
Como a intenção é simplesmente impedir que o líquido permaneça dentro da garrafa, o produtor pode optar por usar rolhas sintéticas ou tampas de rosca (os mais afrescalhados preferem chamar de “screwcap”). Isso porque o processo de produção do vinho já foi concluído e ele deve ser consumido o quanto antes.

Há quem aponte uma vantagem do uso de rolhas sintéticas ou rosca em relação à cortiça: evitaria o bouchonné, a “doença da rolha”: cortiças contaminadas por um fungo, o tricloroanisole (TCA), que comprometem a qualidade do vinho.

rolhas de cortiça

Rolhas de cortiça
A maior parte das vedações é feita com rolhas de cortiça, que é a casca de uma árvore chamada sobreiro, muito comum em Portugal —aliás, o país produz metade da cortiça do mundo. Outros países que produzem são Espanha e Marrocos, Argélia e Tunísia (repare que são todos países próximos ao Estreito de Gibraltar, que separa a Península Ibérica do Norte da África; portanto, a posição geográfica influencia).

A cortiça é extremamente eficiente para a tarefa à qual se destina (vedar a garrafa) e tem um custo viável. E isso faz com que continue sendo utilizada em vinhos feitos para consumo imediato.

Evidente que o valor simbólico também pesa no momento em que um produtor decide usar rolha de cortiça, e não uma tampa de rosca. Afinal, faz parte do ritual usar o saca-rolhas e libertar este líquido maravilhoso!

Respiração do vinho

No entanto, a rolha de cortiça tem propriedades que as sintéticas ou as roscas não possuem. Por ser um material poroso, ele permite que o vinho engarrafado continue a micro-oxigenação.

Esta característica é fundamental para os vinhos em que o processo de fabricação não termina nas barricas da vinícola, e sim dentro das garrafas. Mas quem define isso é o enólogo, o profissional responsável por conceber o processo de produção do vinho (que uvas usar, que tipo de tonel, quanto tempo vai ficar maturando etc).

rolha de espumante

Um bom exemplo disso são espumantes produzidas na França, em que a fermentação ocorre dentro da garrafas —em algumas vinícolas, existe uma pessoa só para ficar girando cada garrafa, uma vez por dia, para evitar que sedimentos de uva fiquem depositados no fundo.

O tamanho da rolha também influencia. Os vinhos de guarda, pensados para ficarem mais tempo maturando dentro da garrafa, precisam ter rolhas maiores, cerca de 55 milímetros (vinhos normais têm cerca de 25 milímetros). Isso porque, caso a rolha seja menor, a micro-oxigenação da bebida será excessiva e comprometerá a sua qualidade —pode, literalmente, ir pro vinagre.

Exemplos de vinhos de guarda com rolhas compridas são os Grand Cru de Bordeaux (França) e os Barolo de Piemonte (Itália), que podem ficar fechados por 50 anos. São vinhos excepcionais, na qualidade e no preço.

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