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Desenvolvimento

Para onde vai o planeta?

O grande problema quando se fala de questão ambiental é que o cidadão comum não percebe o quanto a devastação dos recursos naturais compromete a sua qualidade de vida. E também não entende que os seus hábitos e decisões cotidianas definem, diretamente, o nível de destruição do planeta.

O senso comum induz a concluir que a degradação de florestas, animais, rios, mares e atmosfera é responsabilidade de grandes conglomerados industriais, latifundiários, madeireiros, garimpeiros — o tal “capitalismo selvagem”. Evidente que estes setores têm sua parcela de responsabilidade, mas o grande culpado pela destruição é o consumidor —eu, você e todos quem conhecemos.

A maior dificuldade é o simples entendimento do tamanho da encrenca. Para completar, setores do ativismo ambiental tornaram o debate tão prolixo e chato que acabou afastando o cidadão comum. Falharam na tarefa de mostrar que o problema tem a ver com o dia a dia de cada um, hoje e no futuro.

Assim, é importante desmistificar e explicar alguns conceitos relativos à preservação ambiental.

Sobrecarga da Terra

O consumo de recursos naturais do planeta é menor que a sua capacidade de recompô-los. É como se fosse um trabalhador que gasta todo o seu salário no meio do mês e entra no cheque especial para poder pagar o resto das despesas. O New Economics Foundation, da Inglaterra, calcula Dia da Sobrecarga da Terra: quantos dias demora para o planeta consumir recursos que é capaz de repor, antes de consumir “reservas”. A cada ano que passa, esta data fica cada vez mais cedo: em 2019, foi em 29 de julho; em 2009, 18 de agosto; em 1999, 29 de setembro. Se o mundo inteiro tivesse o nível de consumo dos Estados Unidos, seria necessário ter recursos naturais equivalentes a 4,8 planetas Terra.

3Rs

Uma tentativa de frear esse ritmo é investir nos chamados 3Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

 Reduzir

Passa pela mudança de comportamento: usar canecas de cerâmica em vez de copos plásticos; evitar desperdício de alimentos; levar a própria sacola ao supermercado.

Reutilizar

Dar outra utilidade a itens como potes de vidro, restaurar móveis antigos, doar equipamentos eletrônicos para as peças serem reaproveitadas em outros aparelhos.

Reciclagem

Transformar o material que seria descartado em novos produtos. No entanto, cada vez mais esta prática está sendo revista pois muitas vezes o custo para transportar e remanufaturar não é compensador.

Plástico

De produção barata e extremamente versátil, é também um dos grandes vilões da destruição ambiental, por causa da quantidade presente em nosso cotidiano e também do tempo que leva para ser degradado pelo ambiente. E nem todo plástico pode ser reciclado, por conta da dificuldade de ser remodelado ou mesmo o custo de recolhimento, transporte e transformação.

Logística reversa

Desde 2010, há uma lei que obriga as fábricas de determinados produtos se responsabilizarem pela retirada dos resíduos após seu consumo (pilhas e baterias, latas de tinta, pneus, lâmpadas fluorescentes etc). Mas para que isso funcione, o consumidor deve fazer a sua parte e entregar os detritos nos pontos de coleta disponibilizados pelos fabricantes.

Lixo eletrônico

Por ano, o mundo produz 41,8 milhões de toneladas de lixo eletrônico (computadores, impressoras, celulares, aparelhos de TV etc). Mas apenas 20% são reciclados. Ao mesmo tempo que possui elementos altamente tóxicos (mercúrio, berílio, cádmio, chum­­­bo), possui também metais valiosos como ouro e os chamados terras-raras (15 elementos muito escassos na natureza mas que possuem propriedades valiosas nos componentes tecnológicos).

Obsolência programada

As indústrias tecnológicas são acusadas de produzir equipamentos com prazo de validade determinado: o celular que depois de um tempo só trava; o notebook que não comporta as atualizações do programas… É uma estratégia para forçar os consumidores a comprarem aparelhos novos, “mais modernos”. E a consequência direta disso é a produção de mais lixo eletrônico.

Economia circular

É um conceito cuja premissa é “lixo não existe”: tudo o que restar de um consumo pode ser reaproveitado em outro, evitando que se recorra aos recursos naturais. Para isso, as próprias indústrias devem se adequar a esta mentalidade, adequando seus métodos de produção, investindo em equipamentos e redefinindo as escolhas de matérias-primas.

 Compostagem

É o processo de reaproveitamento do lixo orgânico (basicamente, restos de comida), transformando-o em adubo. Santos terá, até o final do ano, sua primeira usina, com capacidade para decompor 1,5 mil toneladas de lixo orgânico (restos de poda urbana, legumes, frutas e verduras de feiras livres) anualmente. O objetivo é reduzir a quantidade de resíduos enviados a aterros sanitários.

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