chá e outras infusões
Gastronomia

O que você precisa saber para tomar um bom chá

—Vamos tomar um chá?

—Por quê? Você está doente?

O diálogo, hipotético, é usado por Carla Saueressig para ilustrar quanto esta bebida ainda é malvista pelos brasileiros, apesar do prazer e benefícios fisiológicos que proporciona. “Diferente do café, o chá está sempre associado a um desprazer. Quando se fala em chá, a pessoa logo pensa em boldo, carqueja ou qualquer outra infusão amarga”, explica ela, que é considerada a maior especialista de chá no Brasil.

Maior especialista em infusões do Brasil, Carla percorre o Brasil dando cursos e palestras, com o objetivo de desmistificar preconceitos contra o chá e ensinando as melhores maneiras de escolher e preparar infusões.

Carla Saueressig

Ela esclarece, por exemplo, que nem toda infusão pode ser considerada chá. “Pode-se fazer infusão de ervas, frutas, pétalas, mas chá, mesmo, só se for preparado com a Camélias sinensis, uma planta originária da China, cujos primeiros registros de sua utilização datam de 2.700 a.C.”, revela. Atualmente, são conhecidos cerca de 230 tipos de chás.

Chá verde, branco e preto

Todos eles são produzidos a partir da Camélia sinensis. A diferença está na quantidade de fermentação: chá verde, sem fermentação; branco, de 2% a 4% de fermentação, oolong (um meio-termo entre o verde e o preto), de 20% a 40%; preto, fermentação total.

chá verde, preto e branco

A origem do chá

Diz a lenda que o chá foi “descoberto” quando chineses deixaram cair uma flor da camélia em uma panela de água quente. Ao beber, descobriram que ela ajudava a combater o cansaço. Foi apenas na época de Confúcio (cerca de 650 a.C.) que o chá começou a ser tomado por prazer.

Diferente do que se possa pensar, o chá não chegou à Europa pelas mãos dos ingleses, mas pelas dos portugueses — eram os lusitanos que possuíam colônias na região onde hoje está a China. Os ingleses não conheciam a bebida, tinham por hábito beber café. No entanto, por volta de 1600, houve uma grande praga que acabou com as safras de café. Os britânicos lembraram do costume dos indianos de tomar chá e passaram a consumi-lo também, adicionando leite -mas não este leite “magro” tão comum hoje, mas uma espécie de nata.

O tradicional Chá da Tarde na terra da rainha surgiu com o costume das mulheres da corte, que sempre se reuniam às 17h para fazer um lanche, jogar conversa fora e… tomar a bebida.

chá

A qualidade do chá

Assim como nos casos de vinhos e cafés, a qualidade do chá depende do seu terroir (o local onde foi cultivado, as características do solo e do clima) e do processo de oxidação. É neste aspecto que faz a diferença a sabedoria milenar de chineses e japoneses, produtores dos melhores chás do mundo. Além da procedência, o que influencia na qualidade do chá é seu frescor. Quanto mais fresco (mais recentemente colhido), melhor.

Benefícios das infusões

Por possui polifenóis, o chá aumenta o metabolismo, reduz os radicais livres, retarda envelhecimento, melhora sistema imunológico, previne o câncer.

Preparo de chá

O preparo de chá e outras infusões

A temperatura da água para fazer a infusão varia, de acordo com o tipo do chá, de 60 a 90 graus centígrados.

A quantidade também. Normalmente, segundo Carla, a proporção de erva por litro de água e tempo de infusão está descrita na embalagem do produto.

Ela recomenda o uso de filtros de papel orgânicos, que possui tons mais amarelados.  O papel branco (como o de coadores de café) possui cloro, substância utilizada no processo de esterilização e que o deixa branco.

Onde servir – Tanto faz, desde que não seja de metal: pode ser cerâmica, porcelana, vidro…

Temperatura de serviço- A pessoa precisa conseguir “aguentar” segurar a xícara sem se queimar.

Curiosidades

O chá é a segunda bebida mais consumida no mundo — perde apenas para a água. Mas, se excluirmos nesta conta China e Índia, fica atrás do consumo de café. No Brasil, o consumo de café é 20 vezes maior que o de chá.

Existem alguns tipos de chá que, quando recebem a água quente, fazem pequenas flores desabrocharem dentro do recipiente. Apesar de ser um belo espetáculo, segundo Carla Saueressig, a bebida não possui nenhuma propriedade ou sabor excepcional.  “É apenas pirotecnia”, resume.

Há também chás muito especiais — e caros. O mais apreciado é o gyokyro, que significa “gosto de orvalho precioso”. Cada 12 gramas (o suficiente para preparar um litro) dele custa cerca de R$ 60.

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