Barqueiro Titicaca
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O fantástico mundo do barqueiro do Titicaca

As marcas de expressão pronunciadas no rosto (um castigo do tempo, de vento gelado cotidiano e da vida dura) contrastavam com o serenidade do semblante do piloto do barco que me levou de Copacabana à Ilha do Sol. Acostumado a levar turistas de peles mais claras, Pedro quis saber se eu era da Colômbia ou Equador e ficou surpreso quando soube que eu vinha do Brasil. “Mais longe”, disse, acrescentando que parecia que eu viajava muito.

Respondi que viajar era a melhor maneira de gastar dinheiro e devolvi a pergunta. Ele disse “muito pouco” e eu quis saber para onde já tinha ido. Com certo ar triunfante, Pedro encheu a boca e disse: “La Paz”. Fingi não ter ficado surpreso com a singeleza da resposta e quis saber mais: para onde gostaria de viajar? Pedro sorriu com os olhos e sentenciou: La Paz.

— De novo?

Vacinação combina com doação

— Sim, é uma cidade belíssima!

Barqueiro Titicaca

Entendi que o mundo do simpático Pedro era aquele: Copacabana, Titicaca, Ilha do Sol. E ele era feliz daquele jeito. Qualquer outra viagem além daqueles limites seria uma coisa extraordinária, algo a mais, capaz de transbordá-lo de felicidade. Uma lição àqueles que nunca estamos satisfeitos com o que já temos.

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