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Lobão descasca o verbo contra petistas

O cantor, compositor e multiinstrumentista  João Luiz Woerdenbag Filho, mais conhecido pela alcunha de Lobão, ficou durante um bom tempo marcado como um ferrenho crítico da então presidente Dilma Roussef e do PT. No calor daquele embate, em 2016, ele concedeu a seguinte entrevista.

 

Você ganhou destaque recentemente por conta das críticas à presidente e ao PT, inclusive em um show “atualizou” a música “Vida bandida”, cantando “Dilma Bandida”. Em um show em Itajaí (SC), você disse que cumpriu uma “agenda positiva” e fez “duas horas de música sem a menor preocupação de dedicar algum tempo relevante para ficar falando de política”. Vai repetir esta “agenda positiva”?

Lobão – Enxergar o impacto dessa turnê sob esse prisma é bastante reducionista. O show é extremamente musical. Tem um som lindo de voz e violão. É caprichadíssimo, eu estou cantando mais de oito canções novas (e contando suas respectivas histórias) e, certamente, estão querendo “forçar um destaque” em relação a um episódio tão diminuto dentro do show. São aqueles elementos carimbados da imprensa subvencionada pelo Palácio do Planalto. Mas já te adianto que essa fofoca não vingou. O show é lindo, é um show adulto e profundo e é um sucesso nacional.

 

Quais as principais diferenças, em termos musicais, do Lobão da década de 80 para o Lobão do século 21?

Lobão – Estou exponencialmente melhor em todas as minhas áreas de atuação. Estou lançando um disco em que compus, arranjei e toquei todos os instrumentos, estou lançando um livro que fala detalhadamente sobre esse processo e já sai best-seller (hoje em dia, já sou um escritor estabelecido, com três livros de grande sucesso lançados), acabei de ganhar o conceituado prêmio DMX de projeto de crowdfunding mais criativo. Ou seja, é só perseguir os fatos, perceber a realidade, que a coisa fica fácil.

Tem muita gente que o admirava por conta de suas músicas da década de 80 e que agora “deixou de gostar” de você, por causa de suas posições políticas. O que diria para este ex-fã?

Lobão – Olha, seria de se espantar uma pessoa como eu preocupada com alguém que não teve a capacidade de perceber a minha evolução, principalmente se for um patrulheiro ideológico, que é, infelizmente, uma espécie corriqueira em nosso cenário político/cultural. Temos obrigação de erradicar essa cultura fascistoide de eliminação daquele que pensa diferente. O fato é que meu público é imenso e muito fiel, e cresce a cada dia. Há de se salientar que trata-se de um show de plateias mesmerizadas, entusiasmadas, amorosas e com frequentes lotações esgotadas. Quem não consegue segurar a onda que vá ouvir outra coisa. O que eu diria para uma criatura dessa? Bem, com todo o respeito, foda-se, né? Eh eh eh… O que mais?

 

Há quem acredite que quem vai a seu show é movido mais por convicções políticas do que por admiração ao seu trabalho musical. Isso te preocupa?

Lobão – Isso não acontece. O que você verá em meus shows é uma multidão de pessoas levando meus livros, se confraternizando comigo com uma proximidade comovente! Não esqueça que participo politicamente desde sempre, não se lembra da época do Sarney? Do “Eleito”? “Revanche”? “Pan-americana”? o “Presidente mauricinho”? “Quem quer votar”? Minhas participações pró-PT?  Minha oposição ao FHC? E as minhas múltiplas prisões? Pois então: não mudei em nada. Tudo continua com suas características básicas. Do jeito que você fala, parece que um cantor alienado politicamente, de repente deu um piripaque e passou a ser um agitador de massas…Eh eh eh… Esse tipo de especulação existe desde os anos 80. Ou você não acha que eu não recebia o mesmíssimo tipo de pergunta naquela época? O mesmíssimo tipo de pergunta. Não se esqueça que habitamos a Terra do Nunca. O índice de evolução intelectual aqui no Brasil é nulo, quando não, retrógrado.

 

Outra crítica é de que sua indignação seria seletiva, à medida que poupa outros políticos…

Lobão – Eu apenas adoraria saber quem seriam esses “eleitos”! Você é capaz de conceber um cara como eu, Lobão, com toda a minha história de vida, aliviando alguém? Chega a ser comoventemente naíve uma hipótese dessas. O que deve ser realmente levado em consideração que o elemento em foco é o partido que está há 12 anos no poder, partido esse que lutei por ele, doei meu trabalho e minha credibilidade a ele e ele nos traiu a todos. Simples assim. Eu jamais votei no PSDB. Já no PT, além de votar eu me expus, fui cortado da Globo, nunca cobrei um tostão pra fazer as centenas de shows para seus candidatos, isso seria indignação seletiva. E, para concluir nossa agradável papo, o fato irrefutável é que estou numa alegria esfuziante nesse final de ano, com uma turnê vitoriosa, no mês de lançamento do livro “Em busca do Rigor e da Misericórdia”, pela minha nova editora, a Record, e prestes a ter lançado o disco da minha vida: “O Rigor e a Misericórdia”! Nada poderá deter uma pessoa feliz.

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