Viagem

Barra da Tijuca se abre para o turismo

A primeira imagem que vem à cabeça quando se pensa em turismo no Rio de Janeiro são as (belas) praias da Zona Sul (Ipanema, Copacabana, Leblon…) e lugares emblemáticos como o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e os Arcos da Lapa. Mas existe outra região da capital fluminense que oferece atrações bem interessantes e boas opções de gastronomia, bares, entretenimento e compras: a Zona Oeste, com destaque para a Barra da Tijuca.

Após percorrer a fantástica avenida Niemeyer e contemplar, à esquerda, a fabulosa vista para o mar, chega-se à Barra da Tijuca, uma área de ocupação mais recente, que teve um rápido desenvolvimento imobiliário, com grandes condomínios residenciais e shoppings centeres.

A Barra da Tijuca é um convite irrecusável para quem já se deliciou com a charmosa Zona Sul (Copacabana, Ipanema, Leblon e arredores), a multicultural Lapa, o requintado bairro de Santa Tereza, as quadras de escolas de samba e a saborosa Feira de São Cristóvão -sem falar no Corcovado e no Pão de Açúcar.

Quando o turista pensa que terá que repetir passeios no Rio, eis que se apresenta a Barra. Durante muito tempo uma região inóspita, o local representa hoje a faceta mais moderna da Cidade Maravilhosa: uma extensa praia de água azul-caribe, prédios imponentes com generosas varandas, shoppings, restaurantes e bares descolados e moradores que se comportam como atores globais (alguns realmente são, afinal, o Projac é logo ali…).

Até a década de 1970, a região de pouco mais de 160 km² de extensão e uma costa litorânea de 27km era ocupada basicamente pela mata nativa, caiçaras e alguns sítios. A grande virada da Barra começou com a execução do Plano Piloto concebido por Lúcio Costa (o mesmo que projetou Brasília, em parceria com Oscar Niemeyer), prevendo a ocupação ordenada da região.

A abertura de uma importante artéria viária, a Autoestrada Lagoa-Barra, facilitou a ocupação da área, que começou a receber empreendimentos de alto luxo, que apostavam no trinômio conforto-privacidade-segurança para atrair moradores para a até então quase deserta e contra mão Barra (se hoje demora-se meia hora para chegar à Zona Sul, imagine antes!). Os nomes dos primeiros condomínios fechados já antecipavam o propósito da Barra: Novo Leblon e Nova Ipanema.

Em pouco tempo, a área foi ocupada por construções de alto padrão e gente diferenciada. Mas, para os visitantes, a Barra tem muito a oferecer, desde reservas naturais exuberantes e centros de consumo sofisticado, passando por ótimas opções de hospedagem, gastronomia e entretenimento.

Conheça os atrativos da Barra da Tijuca

Sítio Burle Marx

Os projetos paisagísticos de Roberto Burle Marx são reconhecidos não apenas pela beleza, mas também por conferir características bem brasileiras aos ambientes. Sua proposta era romper com as influências europeias (principalmente de ingleses e franceses), que concebiam projetos geométricos, e no lugar utilizar formas orgânicas e irregulares, recorrendo exclusivamente a espécies vegetais tropicais. Essa opção pelos valores locais fez com que fosse considerado o “modernista do paisagismo” -uma alusão ao movimento artístico lançado em 1922 por Mário e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Manuel Bandeira, entre outros, que defendiam os uso dos valores brasileiros nas manifestações artísticas.

Durante décadas, Burle Marx utilizou um vasto sítio na Barra de Guaratiba como um imenso laboratório a céu aberto. No local, reuniu milhares de espécies de plantas tropicais, de várias partes do mundo (Brasil, Madagascar, Nova Guiné, Nova Zelândia, Índia, Flórida).  O paisagista viveu no sítio de 1973 até morrer, em 1994. Hoje aberto à visitação, o Sítio Burle Marx abriga, em uma área de 365 mil m², 3,5 mil espécies de plantas tropicais e também esculturas, a coleção de artesanato do Vale do Jequitinhonha, pinturas, desenhos e murais feitos pelo próprio Marx. As visitas, que duram 2h e são monitoradas, precisam ser agendadas, pelo telefone (21) 2410-1412.

Visita ao Sítio Burle Marx. Rio de Janeiro, Brasil, América Latina.

Sítio Burle Marx- Estrada da Barra de Guaratiba, 2019.

Bosque da Barra

Uma espécie de Parque Ibirapuera da Barra da Tijuca, o Bosque da Barra é um local bastante procurado para pessoas que buscam praticar exercícios (correndo, de bicicleta ou simplesmente caminhando) e também por famílias inteiras, principalmente nos finais de semana. Denominado Parque Arruda Câmara, o local tem 500 mil metros quadrados e conta com um lago, belas alamedas, onde é possível avistar animais silvestres, e uma área com playground. Fica aberto de terça a domingo, das 7h às 17h.

Bosque da Barra – Avenida das Américas, 6.000 – Telefone (21) 3151-3428

Floresta da Tijuca

Pedro II realmente era um homem à frente de seu tempo. Quando conceitos como ecologia e preservação ambiental nem existiam, ele determinou o reflorestamento de uma grande área, bem no meio da cidade do Rio de Janeiro. Era uma forma de compensar o desmatamento provocado pelas fazendas de café e impedir que os rios, que abasteciam a cidade, secassem. Em 13 anos, a partir de 1861, foram plantadas 100 mil mudas de árvores, a grande maioria nativas da Mata Atlântica. O resultado se vê hoje: com seus 39,5 km² (o tamanho da parte insular da cidade de Santos), a Floresta da Tijuca é a maior floresta urbana do mundo. Um local perfeito para caminhar e pedalar por suas trilhas e alamedas, conhecer animais silvestres e cachoeiras, e ter vistas privilegiadas do Rio de Janeiro, em pontos como o Mirante Excelsior, a Vista Chinesa, e a Mesa do Imperador.

Floresta da Tijuca – Estrada da Cascatinha, 850 – Alto da Boa Vista – Tel (21) 2492-2252 / 2492-2253.

Museu Casa do Pontal

O designer francês Jacques Van Beuque era um apaixonado pelo artesanato brasileiro. Em suas andanças pelo Brasil, foi colecionando esculturas produzidas por artistas locais, que retratavam o modo de vida de cada lugar. O resultado dessa paixão é um acervo com cerca de 5 mil obras, feitas por 200 artistas, de 24 estados, que hoje estão reunidas no Museu Casa do Pontal. Nas peças, diversos profissionais em ação (o dentista, a costureira, o fazedor de farinha), cenas do cotidiano (crianças na sala de aula, mulheres amamentando), casamentos, quermesses, músicos e festas populares e o circo, entre outras.

São obras de artistas como Mestre Amaro Vitalino, Zé Caboclo, Ulisses Chaves, Antonio Rodrigues e Noemisa Batista.

Localizado em uma reserva ecológica no bairro do Recreio, o Museu é reconhecido pela Unesco, premiado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e já recebeu visitantes ilustres como José Saramago.

Museu Casa do Pontal – Estrada do Pontal, 3295- Tel (21) 2490-3278/2490-4013.

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