Maria Kochańska
Perfil

A surpreendente história da pianista polonesa do Maranhão

Eu estava perambulando por ruas do Centro Histórico de São Luís, um lugar repleto de prédios degradados e pessoas castigadas pelas pobreza, quando comecei a ouvir som de piano. Passei a procurar de onde vinham as notas graves e fortes, pois nitidamente não se tratava de um alto falante, caixa acústica ou algo do gênero. Era música ao vivo.

Dobrei uma esquina e percebi que a música vinha do andar superior de um dos pouquíssimos prédios em boas condições de conservação: era o Centro de Artes Cênicas do Maranhão (Cacen).

Entrei no edifício e fui perseguindo o som, me desviando de eufóricas crianças que passavam pelos corredores. Até que cheguei a uma ampla sala cujo mobiliário se resumia a um piano e algumas poucas cadeiras —cada uma de um tipo. Sozinha, dedilhando as teclas com suavidade mas extraindo sons vigorosos, havia uma menina de pele clara, cabelos longos e encaracolados. Tão concentrada que não percebeu minha presença.

Era Maria, uma polonesa então com 17 anos, que estava no Brasil participando de um programa de intercâmbio estudantil.
Sem cerimônia, diante de uma cena tão bonita quanto inusitada, passei a fazer fotos. Ao ouvir o barulho dos disparos da máquina, a menina abriu os olhos, virou levemente o pescoço e deu um sorriso. Terminada a música, ela pediu:
— Depois me manda as fotos?

Conversamos um pouco, trocamos contato pelo Facebook e nos despedimos. Ao longo dos anos, fui acompanhando a menina alegre e intensa. Apareciam em minha timeline da rede social as andanças de Maria pelo mundo: o passeio pelo Rio de Janeiro, suas passagens pela Austrália, Estados Unidos, Dinamarca… — já visitou mais de 60 países. Fotos em que aparecia dirigindo uma Kombi, a bordo de um veleiro, na beira de um precipício no Grand Canyon, cavalgando em uma praia…

Fomos trocando ideias pela internet. Certa vez, quando revelei que estava partindo para uma viagem à base do Monte Everest, na Cordilheira do Himalaia, ela disparou: “Ah! Vamos fazer um câmbio de vida! Você pega a minha e eu a sua! kkkk”. Na verdade, ela é que tem um estilo de vida invejável.

De volta a Gdansk, sua cidade-natal, passou a fazer apresentações musicais na rua, usando um instrumento de percussão bastante peculiar, uma espécie de gamela de metal, cuja reverberação produz sons incríveis.

Suas performances em via pública lhe renderam a possibilidade de participar da versão polonesa do “American Got Talent” de 2018. Superou dezenas de outros candidatos, chegou à final, conquistou a sexta colocação e uma notoriedade inabalável.

Eu a conheci como Maria Sosinska. Em um emocionado relato aos amigos das redes socais, ela explicou porque estava deixando de usar o sobrenome paterno para utilizar o da mãe. Hoje, é Maria Kochanska, a menina que vive com talento.

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