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Muretas de Santos se tornam oficialmente patrimônio cultural do município

As tradicionais muretas da Ponta da Praia acabam de ganhar reconhecimento oficial como patrimônio cultural de Santos. A decisão, tomada por unanimidade, foi aprovada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa) no dia 27. A solenidade ocorreu na Sala Princesa Isabel do Paço Municipal, no Centro Histórico, marcando os 35 anos do conselho.

O reconhecimento contempla o símbolo santista em suas dimensões material e imaterial. Consequentemente, Santos chega à marca de 61 bens tombados pelo município. Além disso, as muretas representam o primeiro patrimônio protegido que possui a dimensão imaterial reconhecida pela legislação local.

O tombamento preserva o trecho original remanescente situado na Avenida Rei Pelé (antiga Avenida Saldanha da Gama). A proteção abrange a extensão localizada entre a Rua Carlos de Campos e a Praça Almirante Gago Coutinho, na Ponta da Praia.

Identidade, pertencimento e história urbana

As muretas surgiram em um conjunto de intervenções urbanas na terceira gestão do prefeito Antônio Gomide Ribeiro dos Santos (1941-1945). Projetada pelo engenheiro Carlos Lang, a estrutura ultrapassou a função de proteção aos pedestres e virou marca registrada da cidade. Por conseguinte, o ícone passou a estampar:

  • Tatuagens e joias autorais;

  • Camisetas e suvenires turísticos;

  • Peças decorativas e manifestações artísticas.

A dimensão imaterial reconhece a estrutura como referência cultural ligada à memória coletiva e ao sentimento de pertencimento. Por sua vez, a proteção material restringe-se ao trecho original remanescente na Ponta da Praia. Portanto, qualquer intervenção no local dependerá de autorização do Condepasa.

“Ao fazer 35 anos, o Condepasa dá um presente para a Cidade. As muretas são algo muito simbólico, que estão presentes em tatuagens, em suvenires e na memória dos santistas e daqueles que nos visitam. É uma peça única que faz lembrar de Santos em qualquer lugar. Esse tombamento consolida a nossa história e reforça a importância do reconhecimento e preservação de patrimônios históricos”, celebrou o prefeito Rogério Santos.

O autor da proposta, o jornalista e chefe de Gabinete da Prefeitura, Rafael Oliva, destacou a dimensão afetiva do elemento:

“É um elemento histórico e imaterial. As muretas despertam a curiosidade de quem visita Santos e se tornaram parte da paisagem em diferentes regiões, dos canais à Zona Noroeste e à Área Continental, servindo de pano de fundo para fotos, encontros e reflexões”, explicou Rafael Oliva.

Ademais, em outubro do ano passado, uma votação popular nas redes sociais definiu a “Muretinha” como mascote oficial para ilustrar materiais institucionais do município.

Solenidade celebrou os 35 anos de atuação do Condepasa

A decisão foi precedida por audiências públicas e contou com a presença da vice-prefeita Audrey Kleys. Órgão autônomo e deliberativo, o Condepasa reúne secretarias municipais, associações e universidades para atuar na preservação de bens culturais e naturais.

A solenidade integrou a programação da 2ª Semana do Patrimônio Santista. O evento tem o apoio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (Semam) e correalização da Associação Comercial de Santos (ACS). Na ocasião, conselheiros, ex-integrantes e ex-presidentes receberam o livro comemorativo dos 480 anos do município e esculturas em miniatura das muretas.

“O Condepasa busca garantir que o desenvolvimento da Cidade caminhe junto à preservação de sua história, com diálogo e responsabilidade. Ao longo desses 35 anos, diferentes pessoas contribuíram para construir essa política de proteção do patrimônio”, concluiu o titular da Semam e presidente do Condepasa, Glaucus Farinello.

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